escrito da madrugada
relógio de amêndoas
relógio das frutas podres
que pingam em ritmo inconstante
atesta o poeta insone

a vida é igual
infinitos relógios se apresentam
o sol o mais antigo
as ondas do mar, as marés
as crianças que crescem
os cabelos, a barba dos homens

hoje de manhã notei que sou de novo
um homem de barba
os pelos brotam como as formigas
do intestino das casas

os relógios vão e vêm
em sua miríade de aspectos
em infinitos tique-taques
vão e vêm
sem quê nem porquê
a não ser, talvez
lembrar-nos que o óbvio
destino de toda criatura
se aproxima mais e mais
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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Tabacaria, Coleções e miniaturas