escrito da madrugada
relógio de amêndoas
relógio das frutas podres
que pingam em ritmo inconstante
atesta o poeta insone
a vida é igual
infinitos relógios se apresentam
o sol o mais antigo
as ondas do mar, as marés
as crianças que crescem
os cabelos, a barba dos homens
hoje de manhã notei que sou de novo
um homem de barba
os pelos brotam como as formigas
do intestino das casas
os relógios vão e vêm
em sua miríade de aspectos
em infinitos tique-taques
vão e vêm
sem quê nem porquê
a não ser, talvez
lembrar-nos que o óbvio
destino de toda criatura
se aproxima mais e mais